quarta-feira, 7 de abril de 2010
(in)Certeza
Não é possível enxergar seu rosto, pois a luz é pouca e ilumina apenas a mesa. Mas é uma menina, disto tenho certeza. Agitação e calmaria parecem disputar uma batalha constante em sua mente. Ora ela para tudo o que está fazendo e se põe a observar a chuva que cai fraca, ora ela rabisca algo em um ritmo frenético. Eu aqui, observando a menina, poderia deduzir como ela é, do que gosta, do que tem medo, qual o seu sonho. Mas o rosto confuso e angustiado dela revela que a própria não tem certeza de si mesma. Ela derrama lágrimas descontroladas, se irrita e rasga o papel em que rabiscava. Procura por algo, procura por um espelho. Quando enxerga seu reflexo, tomo um susto: essa menina sou eu.
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