sexta-feira, 26 de março de 2010
Normalidades
O vento sopra gelado, mas não sinto frio; a música é boa, mas não me agrada; as palavras estão em harmonia, mas o texto não me comove; a cama é aconchegante, mas não consigo descansar sobre ela; a piada seria capaz de arrancar risadas de qualquer um, mas onde estão as minhas?
Aparentemente, estou sozinha. Não me sinto mal por isso, em minha mente, sempre haverá solidão suficiente para me fazer companhia. Estou muito bem do jeito que estou. Mas a questão não é apenas "estar bem", vai além disso. Se trata de ser como os outros, ser normal, e assim, ser aceita.
Então, apesar de não sentir frio, visto um casaco; acompanho a batida das músicas com os pés, fingindo estar gostando; leio com tal vontade, que qualquer um poderia pensar que sou uma amante de palavras; deito em minha cama da maneira que estou, e durmo como se não houvesse dormido há dias; as risadas, ainda não as encontrei, mas abro um largo sorriso e torço para que este seja convincente. Quanto à solidão que sempre me acompanhou, dispenso-a e troco minha expressão de normalidade, por uma expressão triste estampada em meu rosto.
Pois é isso o que as pessoas normais fazem.
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