Eu caminho olhando para cima, para que as lágrimas não caiam. Conto as estrelas no céu com olhos lacrimejantes, lembrando de quando a felicidade descansava acima de nós, e não além das nuvens. E agora eu percebo que estou sóbria, e reconheço as ruas pelas quais eu ando. Essas ruas me levam à sua casa. Não encontro um motivo para continuar caminhando, mas não consigo parar. Começo a marcar o caminho, como fizeram João e Maria, pois sei que voltarei sozinha. Por que eu não consigo ser mulher o suficiente para aceitar os meus erros, admití-los? Eu daria tudo para poder voltar no tempo e não causar a dor que eu te causei. É possível enxergar a luz da casa pela janela ainda aberta. Eu me sento na calçada em frente ao seu portão, e derramo todas as lágrimas que eu segurei pelo caminho. De repente, alguns passos atrás de mim e eu tento me recompor.
-Está tudo bem? - o simples som da sua voz me faz desenterrar todas as lembranças de nós dois, e eu seguro as lágrimas que afloram em meus olhos.
-Não - eu respondi - acho que te devo um pedido de desculpas.
Ele solta um riso baixo, e logo volta à seriedade de sempre.
-Você já se desculpou.
-Mas aquela não valeu, eu estava bêbada, agora estou sóbria, por incrível que pareça. - tento soltar um sorriso espontâneo, mas minha boca se retorce e as lágrimas finalmente rolam de meus olhos. Ele fica um pouco hesitante no início, mas logo me toma em seus braços e sussurra em meu ouvido:
- Está tudo bem, está desculpada.
Levanto o rosto para olhar em seus olhos, ele enxuga as minhas lágrimas, o seu toque faz o meu coração palpitar mais forte, ele se aproxima de mim, consigo sentir sua respiração calma, e seus lábios buscam os meus. Eu desejei que esse momento durasse para sempre.
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