domingo, 21 de fevereiro de 2010
Torres
E lá no alto do Morro do Farol, eu me sentei em uma daqueles bancos bizarros de madeira e fiquei a observar a cidade e a praia. Lá do alto olhava tudo ao meu redor, mas não enxergava. Estava completamente cega, a solidão era tudo o que eu via. Ou tudo o que eu me permitia ver. Afinal, a felicidade alheia sempre fora algo que me incomodara. E então meus olhos pousaram nas rochas, e essas sim eu enxerguei. Engraçado, cheguei a me identificar com elas. As rochas estavam ali, onde sempre estiveram. E então chega o mar e bate violentamente contra elas. Tamanha é a força que ele usa, que com o tempo elas desgastam. É como se desistissem de ficar em pé, como se estivessem cansadas de ver o mar sempre violento, irritado. E então elas viram singelos grãos de areia. E era exatamente assim que eu me sentia. Um grão de areia junto com vários outros incontáveis grãos, esquecido entre a multidão.
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