
Tudo o que eu preciso é de uma luz. Mas a tal luz não vem, e eu continuo na escuridão. Meus fones de ouvido estão no volume máximo, tentando calar os gritos do silêncio. Mantenho os olhos fechados, impedindo-os de se adaptarem à escuridão. Tateando meu braço, e depois o corpo inteiro, não conseguia reconhecê-lo como meu. E mesmo de olhos fechados, as imagens aparecem. Eu sinto o calor do fogo, mas não é este o calor que eu preciso para me aquecer. Eu encaro aquele fogo, que agora queima as minhas córneas. A ardência é insuportável e meus olhos derramam lágrimas em uma vã tentativa de amenizar o calor. Percebo que estou gritando, e abro os olhos, como se estivesse acordando de um pesadelo. Está tudo girando ao meu redor, respiro com dificuldade e me sinto exausta. Consigo caminhar até a janela, de onde eu vejo a luz fraca dos primeiros raios de sol. O orvalho vai embora, mas eu continuo aqui esperando o meu sol.
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