sexta-feira, 26 de março de 2010
Normalidades
O vento sopra gelado, mas não sinto frio; a música é boa, mas não me agrada; as palavras estão em harmonia, mas o texto não me comove; a cama é aconchegante, mas não consigo descansar sobre ela; a piada seria capaz de arrancar risadas de qualquer um, mas onde estão as minhas?
Aparentemente, estou sozinha. Não me sinto mal por isso, em minha mente, sempre haverá solidão suficiente para me fazer companhia. Estou muito bem do jeito que estou. Mas a questão não é apenas "estar bem", vai além disso. Se trata de ser como os outros, ser normal, e assim, ser aceita.
Então, apesar de não sentir frio, visto um casaco; acompanho a batida das músicas com os pés, fingindo estar gostando; leio com tal vontade, que qualquer um poderia pensar que sou uma amante de palavras; deito em minha cama da maneira que estou, e durmo como se não houvesse dormido há dias; as risadas, ainda não as encontrei, mas abro um largo sorriso e torço para que este seja convincente. Quanto à solidão que sempre me acompanhou, dispenso-a e troco minha expressão de normalidade, por uma expressão triste estampada em meu rosto.
Pois é isso o que as pessoas normais fazem.
O mais fácil
Me mantenho acordada, com a mente ocupada, para que o sono não venha. Pois ele sempre chega acompanhado dos pesadelos. No início era bom, me fazia lembrar de como eu fora feliz. Mas, todos os dias assistir tudo aquilo que já me pertenceu se tornou uma tortura. Está na hora de preparar um café e escolher um dvd para assistir. As noites se arrastam, mas em alguma hora, elas chegam ao fim. E a tortura, passa? Seria muita sorte minha se os problemas fossem apenas com a noite. O dia chega, e eu sinto o peso das noites não dormidas. Coloquei em uma balança a noite e o dia; o último pesava mais. A opção fácil sempre esteve à minha disposição, porém meu orgulho fora incapaz de aceitá-la. Hoje, não há outra solução, e me vejo engolindo-a garganta abaixo. O café foi substituído por um copo de leite morno, e o dvd abriu espaço para um cobertor aconchegante. Agora é só uma questão de tempo para começar. O espetáculo da noite é sempre uma reprise daquilo que já foi meu.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Masoquismo
Se saudade tivesse cor, eu estaria manchado por ela, completamente. É incrível a maneira como ela tomou conta de mim. Chega mansa, vagarosa; você mal percebe, até que um dia acorda e pensa, ou melhor, não pensa, pois não há como, a dor que você sente é tamanha, que não consegue pensar em nada. Apenas sente, degusta um pouco dessa dor e depois já está embriagado. É assim que tenho passado os dias, meses. O tempo se arrasta e desejo não ser capaz de sentir nada. Fico deitado em minha cama, desenterrando as lembranças. Nem mesmo os borrões de imagens, vozes abafadas, nada escapa. Tentei lembrar do dia em que partiu - há quanto tempo isso aconteceu? Me surpreendi ao perceber que nada lembrava. Inconscientemente, fui apagando as lembranças ruins. Mas a dor, essa eu não esqueço. Me impeço de esquecer, afinal, ela é a única coisa que me mantém vivo.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Conformismo
A flor murcha lentamente, o calor de minha xícara se esvai com o vapor e é quase possível enxergar minhas ideias sendo jogadas fora juntamente com o ar que meus pulmões explulsam. Sortuda seria eu, se estes mesmos pulmões que explulsam minhas ideias, se recusassem a buscar o teu perfume, o teu ar. Aqui, sentada em minha janela, sinto o vento que bate suavemente em meu rosto, lembrando-me do seu toque. Procuro em vão, palavras que teriam sido capazes de te fazer pensar duas vezes, soltar um longo suspiro e finalmente um sorriso, de quem está convencido a mudar de ideia. Mas agora é tarde, nada que eu diga ou faça, irá te trazer de volta. Não importa quantas lágrimas eu derrame, quantas noites mal dormidas - nada será o suficiente. Então eu deixo a flor murchar, deixo o calor da minha xícara se esvair, deixo os meus pulmões expulsarem as minhas ideias, da mesma maneira que te deixei ir.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Mulher
Todo dia é o nosso dia, nós fazemos o mundo girar e não sabíamos disso até pouco tempo atrás. É triste saber que ainda há muito preconceito contra nós, pelo simples fato de sermos mulheres. O preconceito poderia ser explicado pelo medo que os homens sentem de nós, pois eles sabem que eles estão em nossas mãos. Mas hoje não é dia para isso, é dia para celebrarmos! A cada dia que se passa, mais mulheres ocupam cargos importantes em empresas. E é simplesmente incrível a habilidade que nós temos para conciliar problemas, trabalho e família. Parabéns a todas as mulheres do mundo!
sábado, 6 de março de 2010
Fake
Ela anda despercebida pelas ruas, e odeia isso. O sol queima sua pele, mas não sem importa, apenas pensa: "a dor é um privilégio dos vivos"- mas será que podemos considerá-la viva? No caminho em direção à escola, ela encontra aqueles que ela gostaria que fossem seus amigos. Ela sabe que nunca fará parte daquele grupo, por mais que tente. Na sala de aula, senta no seu lugar de sempre. Está sempre sozinha, nunca tem com quem fazer os trabalhos em grupo. Diz que não se importa, mas sabe que a solidão já a destruiu por dentro. Quando chega em casa, uma supresa a aguarda. Sobre a sua cama está uma máscara. Esta, estampa o rosto da garota que todos querem ter por perto. Ela não pensa duas vezes antes de cobrir seu rosto, e sente a liberdade de ser aquela que sempre quis ser, auqela que é indispensável para os outros. Durante o jantar, os pais percebem a mudança e a elogiam. Ela se sente radiante, e mal dorme pensando na reação dos colegas. Os primeiros raios de sol chegam e ela desperta. Acorda preocupada, imaginando que a máscara não passava de um sonho e corre até o espelho. Diante dele, solta um suspiro aliviado: lá está ela, devidamente em seu rosto. Ao andar na rua, pode perceber os olhares admirados, surpresos. Não demora muito, e todos estão disputando a sua atenção. Alguns meses se passam e ela coleciona agora um númeor alto de admiradores. Sem perceber, o narcisismo a invade, a preocupaçãocom os outros desaparece. Olhares invejosos só afirmam que ela é a melhor. Tudo andava perfeitamente bem. Tinha tudo o que sempre quis ter, mas de repente, sentiu uma angústia. Correu até o espelho, observou bem a máscara e esta já não lhe caía bem. Hesitou por uns instantes, mas logo se via descobrindo o rosto. O espelho refletia uma imagem irreconhecível, suas feições haviam mudado. Foi quando percebeu que este era o preço pela máscara, que lhe oferecera tudo o que pôde, mas em troca, tomou tudo o que a garota já tinha, tudo o que ela era.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Soundtrack
-Se pudesse escolher uma música para ser a trilha sonora da sua vida, qual escolheria? - seus olhos estava fixos nos meus, e aquela simples pergunta ganhou uma seriedade imprevisível.
"Uau, essa pergunta me pegou. Já havia pensado nisso, mas não havia realmente pensado, sabe? É uma das coisas que passa pela nossa cabeça enquanto estamos andando na rua, no ônibus, com os fones no ouvido, mas que depois de um certo tempo, se dispersa e nunca mais voltamos a pensar nisso, pois sabemos que é algo utópico. Acho que agora, aos quinze anos, vivi muito pouco para poder escolher alguma música que serviria para toda a minha vida. Isso não daria certo para mim, talvez só por alguns anos, até eu enjoar da música escolhida e me arrepender por não ter escolhido outra que combina mais com o momento de agora. Porque tudo depende disso: do momento de agora, do presente. Hoje, penso de uma maneira, amanhã posso pensar de uma maneira diferente. Se eu pudesse ter uma ideia do que me aguarda amanhã, poderia escolher uma música para ser 'a música da minha vida', mas não são todas as pessoas que possuem uma bola de cristal - não que eu acredite nisso." Tudo isso passou pela minha cabeça em uma fração de tempo, antes que eu pudesse chegar a uma conclusão.
-Poderiam ser várias músicas. Mas a melhor trilha sonora é o som do seu coração batento perto do meu.
"Uau, essa pergunta me pegou. Já havia pensado nisso, mas não havia realmente pensado, sabe? É uma das coisas que passa pela nossa cabeça enquanto estamos andando na rua, no ônibus, com os fones no ouvido, mas que depois de um certo tempo, se dispersa e nunca mais voltamos a pensar nisso, pois sabemos que é algo utópico. Acho que agora, aos quinze anos, vivi muito pouco para poder escolher alguma música que serviria para toda a minha vida. Isso não daria certo para mim, talvez só por alguns anos, até eu enjoar da música escolhida e me arrepender por não ter escolhido outra que combina mais com o momento de agora. Porque tudo depende disso: do momento de agora, do presente. Hoje, penso de uma maneira, amanhã posso pensar de uma maneira diferente. Se eu pudesse ter uma ideia do que me aguarda amanhã, poderia escolher uma música para ser 'a música da minha vida', mas não são todas as pessoas que possuem uma bola de cristal - não que eu acredite nisso." Tudo isso passou pela minha cabeça em uma fração de tempo, antes que eu pudesse chegar a uma conclusão.
-Poderiam ser várias músicas. Mas a melhor trilha sonora é o som do seu coração batento perto do meu.
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