sexta-feira, 12 de março de 2010
Masoquismo
Se saudade tivesse cor, eu estaria manchado por ela, completamente. É incrível a maneira como ela tomou conta de mim. Chega mansa, vagarosa; você mal percebe, até que um dia acorda e pensa, ou melhor, não pensa, pois não há como, a dor que você sente é tamanha, que não consegue pensar em nada. Apenas sente, degusta um pouco dessa dor e depois já está embriagado. É assim que tenho passado os dias, meses. O tempo se arrasta e desejo não ser capaz de sentir nada. Fico deitado em minha cama, desenterrando as lembranças. Nem mesmo os borrões de imagens, vozes abafadas, nada escapa. Tentei lembrar do dia em que partiu - há quanto tempo isso aconteceu? Me surpreendi ao perceber que nada lembrava. Inconscientemente, fui apagando as lembranças ruins. Mas a dor, essa eu não esqueço. Me impeço de esquecer, afinal, ela é a única coisa que me mantém vivo.
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