sábado, 6 de março de 2010
Fake
Ela anda despercebida pelas ruas, e odeia isso. O sol queima sua pele, mas não sem importa, apenas pensa: "a dor é um privilégio dos vivos"- mas será que podemos considerá-la viva? No caminho em direção à escola, ela encontra aqueles que ela gostaria que fossem seus amigos. Ela sabe que nunca fará parte daquele grupo, por mais que tente. Na sala de aula, senta no seu lugar de sempre. Está sempre sozinha, nunca tem com quem fazer os trabalhos em grupo. Diz que não se importa, mas sabe que a solidão já a destruiu por dentro. Quando chega em casa, uma supresa a aguarda. Sobre a sua cama está uma máscara. Esta, estampa o rosto da garota que todos querem ter por perto. Ela não pensa duas vezes antes de cobrir seu rosto, e sente a liberdade de ser aquela que sempre quis ser, auqela que é indispensável para os outros. Durante o jantar, os pais percebem a mudança e a elogiam. Ela se sente radiante, e mal dorme pensando na reação dos colegas. Os primeiros raios de sol chegam e ela desperta. Acorda preocupada, imaginando que a máscara não passava de um sonho e corre até o espelho. Diante dele, solta um suspiro aliviado: lá está ela, devidamente em seu rosto. Ao andar na rua, pode perceber os olhares admirados, surpresos. Não demora muito, e todos estão disputando a sua atenção. Alguns meses se passam e ela coleciona agora um númeor alto de admiradores. Sem perceber, o narcisismo a invade, a preocupaçãocom os outros desaparece. Olhares invejosos só afirmam que ela é a melhor. Tudo andava perfeitamente bem. Tinha tudo o que sempre quis ter, mas de repente, sentiu uma angústia. Correu até o espelho, observou bem a máscara e esta já não lhe caía bem. Hesitou por uns instantes, mas logo se via descobrindo o rosto. O espelho refletia uma imagem irreconhecível, suas feições haviam mudado. Foi quando percebeu que este era o preço pela máscara, que lhe oferecera tudo o que pôde, mas em troca, tomou tudo o que a garota já tinha, tudo o que ela era.
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