segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Falo ou não falo?


Eu quero te dizer tudo o que vem à minha cabeça, fazer comentários desnecessários, rir de qualquer besteira, agir normalmente ao teu lado. Mas fico hesitante, tomada de uma insegurança medonha - "Será que ele vai gostar? Será que vai achar interessante? Será que..." E depois de tanto pensar nessas coisas, vejo que já perdi muito tempo e acabo respondendo o que parece mais conveniente, só para facilitar as coisas...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

1984 (George Orwell)

"Quando você ama alguém, ama essa pessoa e mesmo não tendo mais nada a oferecer, continua oferencendo-lhe o seu amor. Como não havia mais chocolate, a mãe abraçara a filha com força. Não adiantava, não alterava coisa nenhuma, não fazia aparecer mais chocolate, não evitava a morte da criança nem dela mesma; mas, para a mãe, era natural fazer aquilo."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um livro flutuante (parte II)


" - Que tal um beijo, Saumensch?





Ficou parado mais alguns instantes, com água pela cintura, antes de sair do rio e lhe entregar o livro. Tinha as calças grudadas no corpo e não parou de andar. Na verdade, acho que ele sentiu medo. Rudy Steiner ficou com medo do beijo da menina que roubava livros. Devia ter ansiado muito por ele. Devia amá-la com uma intensidade incrível. Tanto que nunca mais tornaria a lhe pedir seus lábios, e iria para sua sepultura sem eles."




A Menina Que Roubava Livros - Markus Zusak

terça-feira, 20 de julho de 2010

Castelo da Barbie


Hoje, sentada próxima à janela, olhando para este dia lindo, acabei me perdendo na imensidão do céu azul. Quase adormecendo, fui despertada por uma ideia que acabou me intrigando: será que esse céu azul é de verdade? Pode parecer loucura eu estar me fazendo tal pergunta, mas antes de me julgar como louca, deixe-me esclarecer meus motivos a pensar nesse absurdo.


Quando somos pequenos, nos ensinam que viemos de cegonhas; você vem embrulhado em um pano azul se for menino, e se for menina, virá em uma pano rosa. Pois é assim: rosa é cor de menina, azul é cor de menino.


Depois, um pouco mais crescidos, a gente descobre que coelhos não dão ovos de chocolates, isso é impossível! Papai Noel não passa de vários senhores barbudos que usam roupas vermelhas e ficam sentados em grandes poltronas no centro dos shoppings, apenas posando para tirar fotos com as crianças. O cabelo da Barbie não irá crescer depois de cortado; ela e o Ken nunca vão se amar de verdade.


Aos poucos, o nosso mundo vai ficando cada vez mais parecido com o mundo da Barbie, onde as pessoas andam sempre com um sorriso estampado no rosto, mesmo em dias tristes, porque é assim que a gente aprende a viver: sempre sorrir!, nunca deixar os outros perceberem nossas fraquezas!


As coisas verdadeiras são substituídas por coisas de plástico. A mais linda flor que descansa despreocupada ao lado dos retratos da família, daqui a pouco será substituída por uma flor com pétalas falsas, cuja a beleza será eterna.



E este céu? Será que um dia será substituído? Poderá ser substituído, ou afinal, ele é mais uma das mentiras que a gente vive acreditando?

sábado, 12 de junho de 2010

Sobre fotos e almas


-Uma vez ouvi dizer que as fotos roubam uma parte da alma.


-Parece bom! Assim podemos viver eternamente.


-Parece um pouco bizarro demais, isso sim.


-Ah, não vai dizer que acredita nessas coisas!


-Mas pensa bem, até que faz sentido! Por exemplo, se eu tirar uma foto nossa agora, esse momento estará guardado para sempre, não só em nossas memórias, mas será guardado em algo material e palpável. Com isso, nossa alma também estará lá.


-E se eu queimar a tal foto? O que acontece?, nós perdemos nossa alma que estava guardada lá, ou ela simplesmente fica vagando por aí, sem um rumo?


-Não havia pensado nisso. Mas... Queimar uma foto? Poucas pessoas ainda revelam suas fotos, muitas continuam armazenadas no computador, ou no cartão de memória da própria câmera. Está um pouco atrasado, não acha?


-Agora sim, isso parece bizarro.


-Por quê?


-Não é melhor ter sua alma guardada em um pedaço de papel, ao invés de uma câmera ou computador? Parecem ser frios demais para abrigar uma parte de mim.


-Mas um papel é muito menos resistente que o computador ou o cartão de memória! Qualquer coisa é capaz de destruí-lo!


-Isso é relativo. Depende das condições que o papel será guardado. Se for guardado junto ao fogo, certamente irá queimar. Se for guardado perto do mar, a umidade acabará com ele, e assim por diante. Então só será menos resistente se for mal conservado, e isso vale também para o cartão de memória e computador.


-Tens razão. E se depois de tirar muitas fotos, a nossa alma se acabe?


-Bom, deve ser por isso que certos artistas demonstram-se indiferentes aos problemas sociais que afetam os seus fãs.


-Isso não é verdade! Alguns artistas constroem instituições de amparo aos necessitados, além de outras coisas!


-Mas como eles irão se preocupar com isso depois de tantas fotos, e, consequentemente, tantos furtos sofridos pelas suas almas?


-Bem, as fotos podem roubar nossas almas, mas não nosso caráter.


-Mas o caráter não é essencial para diferenciar nossas almas das outras?

-Agora eu me vejo sem respostas.


-Para mim, isso só pode significar uma coisa: essa história de que as fotos roubam nossas almas não passa de uma besteira!


-Tens razão. Vamos esquecer isso e tirar uma foto para nos lembrarmos de não tocar neste assunto novamente. Discussão inútil... Da onde tirou essa ideia? Acho que anda lendo muita ficção.


-Parece ótimo! Oh, não! Mais uma parte de minha alma será perdida.

sábado, 5 de junho de 2010

Viva o Meio Ambiente! (...)


Parece tão hipócrita falar disso enquanto várias aves e outras espécies de animais tentam incansavelmente se livrar do óleo negro do petróleo que jorra sem parar nos Estados Unidos. Também seria hipocrisia se as outras nações ignorassem isso, como se não fosse nos afetar.



Será que é tão difícil conviver com o que nós já temos? É sempre preciso mais, e mais. Não fosse a ambição dos homens, nosso planeta ainda teria mais esperanças. Calma, acabei me precipitando. A ambição é boa, não fosse ela, ainda estaríamos fazendo fogo com pedras. Ela nos faz crescer, nos faz querer ir além. Mas esse "ir além" já está indo demais! Está fora de controle.



Para se ter uma ideia, mesmo que todos nós parássemos de poluir o planeta com lixo, ainda teria uma quantidade considerável para nossas futuras gerações. Não está na hora de repensar algumas atitudes? Devemos usar essa ambição que nos fez crescer, para que ela nos ajude na hora de fazer as coisas certas. Afinal, de nada ela adiantará para nós, se não a usarmos de maneira inteligente e sustentável.



E é essa a palavra da vez, aquela que todas as empresas usam em suas propagandas: "sustentabilidade".

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Caos


Novas tecnologias surgem a todo momento, explosão de informações, acontecimentos, essa é a globalização! Consumo desenfreado, novas tendências, milhões de tipos de poluição. Moda nerd, moda verde, moda emo. Ano de copa, eleições. Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, sede das olimpíadas -uma cidade sem estrutura irá receber turistas de todo o mundo. 50 anos de Brasília, parabéns a cidade da corrupção! Julgamento do casal Nardoni, deslizamento de terra em Angra dos Reis, ponte caída no Rio Grande do Sul, ciclones, aquecimento global, terremotos, vulcões em erupção. Lady Gaga, colírios da Capricho, morte de Michael Jackson. Mortes, muitas mortes por violência, coisas pequenas. Qual o valor de uma vida? Desespero, estresse, ansiedade, medo. Insegurança, armas, nem sempre o caminho certo é o mais fácil.




Peço desculpas pelo texto confuso, mas não há maneira melhor para descrever a confusão em que vivemos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Agora ou nunca


Se toda vez que algo desse errado fosse preciso apenas encaixar as peças novamente, como em um quebra-cabeça, seria muito fácil! Mas, sejamos realistas, isso nunca é possível. Afinal, uma vez que o ponteiro do relógio anda, não há como voltar no tempo, assim como o fogo queima, e não importa o que seja feito, nada será como antes. Uma conclusão? Pensar sempre muito bem antes de tomar qualquer decisão. Mas, novamente, sejamos realistas, isso nunca acontece!



A vontade de querer fazer os sonhos se tornarem realidade fala mais alto que qualquer outra coisa. Se o amanhã é incerto, e o passado é apenas o passado, nos resta o hoje, o agora ou o nunca.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Miopia

Lentes grossas fazem parte do meu rosto desde que consigo me lembrar. Elas me fazem enxergar melhor, com elas consigo ver a beleza das coisas. Era isso que eu pensava há algum tempo atrás, mas me descobri completamente errada sobre isso. As coisas belas não precisam de uma visão espetacular para que possam ser apreciadas. A beleza não está na forma, na cor. A beleza está no conteúdo, no interior. E a beleza não se enxerga, se sente. Então para que me servem estas lentes grossas? Para nada, pois mesmo sem seu auxílio, eu sinto a beleza. A beleza verdadeira, nua e crua das coisas.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Estar viva

Ally está sozinha, à beira do lago. Todos em sua volta choram por aquele que partiu, mas ela não deixa cair uma lágrima sequer. Talvez um dia se arrependa por não ter chorado, se lamentado. Mas hoje, ela apenas quer ficar sozinha. As vozes alheias zumbem em seus ouvidos, como abelhas no ritmo frenético da colmeia. Não se trata de pessimismo, apenas realismo. Não importa quantas lágrimas derramem, quantas vezes chamem por seu nome. Não há volta, não há uma segunda chance no juízo final. Ally está sozinha, de cabeça baixa, ela pensa em sua trajetória até o dia de hoje. Olha para seus tênis surrados, e abre um pequeno sorriso. Nem ela entende porque está sorrindo, mas não quer acabar com aquela sensação. Qual o nome para aquilo? Estar viva.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

(in)Certeza

Não é possível enxergar seu rosto, pois a luz é pouca e ilumina apenas a mesa. Mas é uma menina, disto tenho certeza. Agitação e calmaria parecem disputar uma batalha constante em sua mente. Ora ela para tudo o que está fazendo e se põe a observar a chuva que cai fraca, ora ela rabisca algo em um ritmo frenético. Eu aqui, observando a menina, poderia deduzir como ela é, do que gosta, do que tem medo, qual o seu sonho. Mas o rosto confuso e angustiado dela revela que a própria não tem certeza de si mesma. Ela derrama lágrimas descontroladas, se irrita e rasga o papel em que rabiscava. Procura por algo, procura por um espelho. Quando enxerga seu reflexo, tomo um susto: essa menina sou eu.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Normalidades


O vento sopra gelado, mas não sinto frio; a música é boa, mas não me agrada; as palavras estão em harmonia, mas o texto não me comove; a cama é aconchegante, mas não consigo descansar sobre ela; a piada seria capaz de arrancar risadas de qualquer um, mas onde estão as minhas?



Aparentemente, estou sozinha. Não me sinto mal por isso, em minha mente, sempre haverá solidão suficiente para me fazer companhia. Estou muito bem do jeito que estou. Mas a questão não é apenas "estar bem", vai além disso. Se trata de ser como os outros, ser normal, e assim, ser aceita.



Então, apesar de não sentir frio, visto um casaco; acompanho a batida das músicas com os pés, fingindo estar gostando; leio com tal vontade, que qualquer um poderia pensar que sou uma amante de palavras; deito em minha cama da maneira que estou, e durmo como se não houvesse dormido há dias; as risadas, ainda não as encontrei, mas abro um largo sorriso e torço para que este seja convincente. Quanto à solidão que sempre me acompanhou, dispenso-a e troco minha expressão de normalidade, por uma expressão triste estampada em meu rosto.


Pois é isso o que as pessoas normais fazem.

O mais fácil

Me mantenho acordada, com a mente ocupada, para que o sono não venha. Pois ele sempre chega acompanhado dos pesadelos. No início era bom, me fazia lembrar de como eu fora feliz. Mas, todos os dias assistir tudo aquilo que já me pertenceu se tornou uma tortura. Está na hora de preparar um café e escolher um dvd para assistir. As noites se arrastam, mas em alguma hora, elas chegam ao fim. E a tortura, passa? Seria muita sorte minha se os problemas fossem apenas com a noite. O dia chega, e eu sinto o peso das noites não dormidas. Coloquei em uma balança a noite e o dia; o último pesava mais. A opção fácil sempre esteve à minha disposição, porém meu orgulho fora incapaz de aceitá-la. Hoje, não há outra solução, e me vejo engolindo-a garganta abaixo. O café foi substituído por um copo de leite morno, e o dvd abriu espaço para um cobertor aconchegante. Agora é só uma questão de tempo para começar. O espetáculo da noite é sempre uma reprise daquilo que já foi meu.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Masoquismo

Se saudade tivesse cor, eu estaria manchado por ela, completamente. É incrível a maneira como ela tomou conta de mim. Chega mansa, vagarosa; você mal percebe, até que um dia acorda e pensa, ou melhor, não pensa, pois não há como, a dor que você sente é tamanha, que não consegue pensar em nada. Apenas sente, degusta um pouco dessa dor e depois já está embriagado. É assim que tenho passado os dias, meses. O tempo se arrasta e desejo não ser capaz de sentir nada. Fico deitado em minha cama, desenterrando as lembranças. Nem mesmo os borrões de imagens, vozes abafadas, nada escapa. Tentei lembrar do dia em que partiu - há quanto tempo isso aconteceu? Me surpreendi ao perceber que nada lembrava. Inconscientemente, fui apagando as lembranças ruins. Mas a dor, essa eu não esqueço. Me impeço de esquecer, afinal, ela é a única coisa que me mantém vivo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Conformismo


A flor murcha lentamente, o calor de minha xícara se esvai com o vapor e é quase possível enxergar minhas ideias sendo jogadas fora juntamente com o ar que meus pulmões explulsam. Sortuda seria eu, se estes mesmos pulmões que explulsam minhas ideias, se recusassem a buscar o teu perfume, o teu ar. Aqui, sentada em minha janela, sinto o vento que bate suavemente em meu rosto, lembrando-me do seu toque. Procuro em vão, palavras que teriam sido capazes de te fazer pensar duas vezes, soltar um longo suspiro e finalmente um sorriso, de quem está convencido a mudar de ideia. Mas agora é tarde, nada que eu diga ou faça, irá te trazer de volta. Não importa quantas lágrimas eu derrame, quantas noites mal dormidas - nada será o suficiente. Então eu deixo a flor murchar, deixo o calor da minha xícara se esvair, deixo os meus pulmões expulsarem as minhas ideias, da mesma maneira que te deixei ir.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher

Todo dia é o nosso dia, nós fazemos o mundo girar e não sabíamos disso até pouco tempo atrás. É triste saber que ainda há muito preconceito contra nós, pelo simples fato de sermos mulheres. O preconceito poderia ser explicado pelo medo que os homens sentem de nós, pois eles sabem que eles estão em nossas mãos. Mas hoje não é dia para isso, é dia para celebrarmos! A cada dia que se passa, mais mulheres ocupam cargos importantes em empresas. E é simplesmente incrível a habilidade que nós temos para conciliar problemas, trabalho e família. Parabéns a todas as mulheres do mundo!

sábado, 6 de março de 2010

Fake

Ela anda despercebida pelas ruas, e odeia isso. O sol queima sua pele, mas não sem importa, apenas pensa: "a dor é um privilégio dos vivos"- mas será que podemos considerá-la viva? No caminho em direção à escola, ela encontra aqueles que ela gostaria que fossem seus amigos. Ela sabe que nunca fará parte daquele grupo, por mais que tente. Na sala de aula, senta no seu lugar de sempre. Está sempre sozinha, nunca tem com quem fazer os trabalhos em grupo. Diz que não se importa, mas sabe que a solidão já a destruiu por dentro. Quando chega em casa, uma supresa a aguarda. Sobre a sua cama está uma máscara. Esta, estampa o rosto da garota que todos querem ter por perto. Ela não pensa duas vezes antes de cobrir seu rosto, e sente a liberdade de ser aquela que sempre quis ser, auqela que é indispensável para os outros. Durante o jantar, os pais percebem a mudança e a elogiam. Ela se sente radiante, e mal dorme pensando na reação dos colegas. Os primeiros raios de sol chegam e ela desperta. Acorda preocupada, imaginando que a máscara não passava de um sonho e corre até o espelho. Diante dele, solta um suspiro aliviado: lá está ela, devidamente em seu rosto. Ao andar na rua, pode perceber os olhares admirados, surpresos. Não demora muito, e todos estão disputando a sua atenção. Alguns meses se passam e ela coleciona agora um númeor alto de admiradores. Sem perceber, o narcisismo a invade, a preocupaçãocom os outros desaparece. Olhares invejosos só afirmam que ela é a melhor. Tudo andava perfeitamente bem. Tinha tudo o que sempre quis ter, mas de repente, sentiu uma angústia. Correu até o espelho, observou bem a máscara e esta já não lhe caía bem. Hesitou por uns instantes, mas logo se via descobrindo o rosto. O espelho refletia uma imagem irreconhecível, suas feições haviam mudado. Foi quando percebeu que este era o preço pela máscara, que lhe oferecera tudo o que pôde, mas em troca, tomou tudo o que a garota já tinha, tudo o que ela era.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Soundtrack

-Se pudesse escolher uma música para ser a trilha sonora da sua vida, qual escolheria? - seus olhos estava fixos nos meus, e aquela simples pergunta ganhou uma seriedade imprevisível.




"Uau, essa pergunta me pegou. Já havia pensado nisso, mas não havia realmente pensado, sabe? É uma das coisas que passa pela nossa cabeça enquanto estamos andando na rua, no ônibus, com os fones no ouvido, mas que depois de um certo tempo, se dispersa e nunca mais voltamos a pensar nisso, pois sabemos que é algo utópico. Acho que agora, aos quinze anos, vivi muito pouco para poder escolher alguma música que serviria para toda a minha vida. Isso não daria certo para mim, talvez só por alguns anos, até eu enjoar da música escolhida e me arrepender por não ter escolhido outra que combina mais com o momento de agora. Porque tudo depende disso: do momento de agora, do presente. Hoje, penso de uma maneira, amanhã posso pensar de uma maneira diferente. Se eu pudesse ter uma ideia do que me aguarda amanhã, poderia escolher uma música para ser 'a música da minha vida', mas não são todas as pessoas que possuem uma bola de cristal - não que eu acredite nisso." Tudo isso passou pela minha cabeça em uma fração de tempo, antes que eu pudesse chegar a uma conclusão.
-Poderiam ser várias músicas. Mas a melhor trilha sonora é o som do seu coração batento perto do meu.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eu caminho olhando para cima, para que as lágrimas não caiam. Conto as estrelas no céu com olhos lacrimejantes, lembrando de quando a felicidade descansava acima de nós, e não além das nuvens. E agora eu percebo que estou sóbria, e reconheço as ruas pelas quais eu ando. Essas ruas me levam à sua casa. Não encontro um motivo para continuar caminhando, mas não consigo parar. Começo a marcar o caminho, como fizeram João e Maria, pois sei que voltarei sozinha. Por que eu não consigo ser mulher o suficiente para aceitar os meus erros, admití-los? Eu daria tudo para poder voltar no tempo e não causar a dor que eu te causei. É possível enxergar a luz da casa pela janela ainda aberta. Eu me sento na calçada em frente ao seu portão, e derramo todas as lágrimas que eu segurei pelo caminho. De repente, alguns passos atrás de mim e eu tento me recompor.
-Está tudo bem? - o simples som da sua voz me faz desenterrar todas as lembranças de nós dois, e eu seguro as lágrimas que afloram em meus olhos.
-Não - eu respondi - acho que te devo um pedido de desculpas.
Ele solta um riso baixo, e logo volta à seriedade de sempre.
-Você já se desculpou.
-Mas aquela não valeu, eu estava bêbada, agora estou sóbria, por incrível que pareça. - tento soltar um sorriso espontâneo, mas minha boca se retorce e as lágrimas finalmente rolam de meus olhos. Ele fica um pouco hesitante no início, mas logo me toma em seus braços e sussurra em meu ouvido:
- Está tudo bem, está desculpada.
Levanto o rosto para olhar em seus olhos, ele enxuga as minhas lágrimas, o seu toque faz o meu coração palpitar mais forte, ele se aproxima de mim, consigo sentir sua respiração calma, e seus lábios buscam os meus. Eu desejei que esse momento durasse para sempre.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Oh, chuva


Sem pedir licença, chega e quando está furiosa, destroi tudo o que estiver em seu caminho. Depois que passa, só nos resta limpar a sujeira, varrer os traumas. Mas acalme-se, não há motivos para ficar zangada. Aceite o meu colo e descanse sua cabeça ali, enquanto eu acaricio o seu cabelo e empresto meus ouvidos pelo tempo que achar necessário. E se me permite, eu lhe conto o quanto a admiro, e o quão bem eu me sinto quando chega mansa, calma, dando um novo ar ao ambiente. Suas gotas brilham como diamantes e caem do céu, refrescando a minha pele e refletindo as minhas melhores recordações, mas é você a minha mais doce recordação.

Um quase acerto na loteria

Você está em seu canto de sempre, com os seus amigos de sempre. Tão fechada em seu mundo, mal percebe o que acontece à sua volta. Se sentindo vazia por dentro, e sedenta por emoção, larga o medo e parte para o desconhecido. Conhece pessoas novas, amigos de amigos, e assim vai.

Um garoto lhe chama a atenção. E aí você faz a sua aposta, um valor baixo, para começar. Você ainda não se sente confiante, mas logo percebe que há muitas coisas em comum entre vocês. Diante disso, aumenta o valor da aposta.

Os dias passam, e vocês costumam ir ao cinema juntos e nunca ficam entediados de conversar. Você já não consegue parar de pensar nele, já está apostando tudo o que pode. Combinaram de se encontrar novamente no dia seguinte. Sente um frio na barriga, será que seus números serão sorteados? Agora sim, está confiante, e dorme acreditando que no outro dia acordará milhonária. Porém, a noite é turbulenta, cheia de pesadelos, chamados sem respostas.

Chega o tão esperado dia. Ele começa uma conversa estranha, com tom de despedida e o pesadelo se torna real. Você o vê partir, e não pode fazer nada para que ele mude de ideia. Por alguns números, você poderia ter se tornado milhonária, mas não foi dessa vez. Mas não fique triste, e aprenda algumas coisas com essa aposta. Você errou por pouco, mas perdeu tudo o que tinha. Da próxima vez, seja menos impulsiva e vá aos poucos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Orvalho à espera da manhã


Tudo o que eu preciso é de uma luz. Mas a tal luz não vem, e eu continuo na escuridão. Meus fones de ouvido estão no volume máximo, tentando calar os gritos do silêncio. Mantenho os olhos fechados, impedindo-os de se adaptarem à escuridão. Tateando meu braço, e depois o corpo inteiro, não conseguia reconhecê-lo como meu. E mesmo de olhos fechados, as imagens aparecem. Eu sinto o calor do fogo, mas não é este o calor que eu preciso para me aquecer. Eu encaro aquele fogo, que agora queima as minhas córneas. A ardência é insuportável e meus olhos derramam lágrimas em uma vã tentativa de amenizar o calor. Percebo que estou gritando, e abro os olhos, como se estivesse acordando de um pesadelo. Está tudo girando ao meu redor, respiro com dificuldade e me sinto exausta. Consigo caminhar até a janela, de onde eu vejo a luz fraca dos primeiros raios de sol. O orvalho vai embora, mas eu continuo aqui esperando o meu sol.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ばあちゃん

Eu dormia tranquilamente quando algo molhado me acordou. Lágrimas. Lembrei-me de meu sonho, eu sonhei contigo. É terrivelmente doloroso saber que nada que eu fizer ou disser te trará de volta. Ou que as lágrimas que eu chorar serão em vão, pois tu não estarás lá para enxugá-las.

Talvez se surpreenda, mas eu não senti alívio algum quando te vi partir. Pedir desculpas nunca reparam os erros cometidos, as feridas não se cicatrizam com um simples "me desculpe". Mas se eu pudesse, hoje eu não faria outra coisa além de repetir essas palavras para ti.

Eu choro sozinha, quando não há ninguém por perto, e rezo por ti. Agora é tarde, eu sei, não posso mudar o que aconteceu. Culpar-me é a única coisa que me faz sentir um pouco melhor. Saber que partiu sem sentir aquilo que sentiu durante a tua vida inteira, sem sentir dor, é apenas um sonsolo.

Se eu soubesse o que o futuro me aguarda, aproveitaria melhor o meu tempo. Eu tive doze anos para aproveitar ao teu lado. Olhando para trás, me arrependo de não ter usado esse tempo para dizer uma frase simples, mas que é completa: eu te amo vó, e eu sinto muita saudade.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Torres

E lá no alto do Morro do Farol, eu me sentei em uma daqueles bancos bizarros de madeira e fiquei a observar a cidade e a praia. Lá do alto olhava tudo ao meu redor, mas não enxergava. Estava completamente cega, a solidão era tudo o que eu via. Ou tudo o que eu me permitia ver. Afinal, a felicidade alheia sempre fora algo que me incomodara. E então meus olhos pousaram nas rochas, e essas sim eu enxerguei. Engraçado, cheguei a me identificar com elas. As rochas estavam ali, onde sempre estiveram. E então chega o mar e bate violentamente contra elas. Tamanha é a força que ele usa, que com o tempo elas desgastam. É como se desistissem de ficar em pé, como se estivessem cansadas de ver o mar sempre violento, irritado. E então elas viram singelos grãos de areia. E era exatamente assim que eu me sentia. Um grão de areia junto com vários outros incontáveis grãos, esquecido entre a multidão.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mudanças

Imagine uma lagarta feia, como todas são, lenta e gulosa. Alguém diria que ela poderia um dia se transformar em uma linda borboleta, de voo rápido e sereno? Acho que não. Mas ela teve paciência. Esperou em seu casulo, e quando saiu, lá estava ela, a mesma lagarta na pele de uma borboleta. É, as situações mudam.